terça-feira, 2 de setembro de 2014
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
O que o COPOM está vendo
O que está dando o modelo "estrutural" do BC? Rodando ele na época do RI e agora, para o cenário de mercado, dá o seguinte:
Um dove argumentaria que expectativas lá adiante ainda vão convergir quando inflação for surpreendendo para baixo.
Um hawk, que lá em 2016 a inflação está acima da meta e ainda mais alta do que antes.
"Investimentos e confiança estão em baixa há quatro trimestes"
Entrevista do Carlos Eduardo Gonçalves -- aka Dudu -- ao Carlos Alberto Sardenberg da CBN. Link aqui.
Quem quiser convidar o Dudu para falar com clareza e didatismo sobre macroeconomia e conjuntura favor escrever para cesg73@usp.br.
RBC na Unicamp
Pense no modelo canônico de ciclos reais (RBC): agente representativo que vive para sempre; valoriza consumo e lazer não só hoje, mas em todos os momentos futuros até o infinito; e escolhe sequências de consumo, horas trabalhadas e investimento ao longo do tempo. Os agentes são donos do capital e do trabalho, e os alugam às firmas. O capital pode ser alterado no tempo via investimento.
As firmas contratam capital e trabalho, e os combinam para gerar produto utilizando uma tecnologia que satisfaz retornos constantes de escala. Elas operam em concorrência perfeita, ou seja, pagam aos consumidores os produtos marginais de seus insumos. A função de produção é ainda sujeita a choques tecnológicos aleatórios, que levam a flutuações nessa economia. Esses choques são temporários, mas apresentam persistência considerável.
Um choque positivo então eleva os produtos marginais dos insumos hoje e no futuro, aumentando a renda permanente dos agentes, o que os leva a consumir mais. E como o choque é relativamente persistente, os indivíduos investem mais com vistas a ter mais capital no futuro próximo para aproveitar o estado bom da economia. Eles também trabalham mais para aproveitar esse choque -- isto é, eles trocam lazer hoje por lazer amanhã.
Esse raciocínio gera co-movimentos nos principais agregados: consumo, investimento, produto e horas trabalhadas todos sobem quando a economia está bombando. E quando o choque tecnológico é adverso, tudo vai no sentido contrário: consumo, investimento, produto e horas embicam para baixo conjuntamente.
E tudo isso é ótimo (no sentido de Pareto): essa é uma economia sem nenhuma fricção -- concorrência perfeita, sem externalidades, rigidez de preços, problemas de informação etc. -- de modo que valem os Teoremas do Bem Estar. Intervenções do governo não conseguem melhorar a vida dos indivíduos.
Isso já é antigo (década de 1980). Inclusive rendeu Prêmio Nobel para Ed Prescott e Finn Kydland. Ao longo do tempo acadêmicos consideraram variações dessa estrutura, em particular incluindo outros choques. É o caso dos choques de preferências. Um choque adverso seria uma elevação na preferência por lazer: há flutuação negativa no produto pois os agentes optam por mais lazer hoje, e portanto cortam horas trabalhadas. Da mesma forma que antes, o choque é temporário, ou seja, os agentes trocam mais lazer hoje por menos lazer no futuro. De novo, esse movimento é ótimo no sentido de Pareto.
Fernando Nogueira da Costa (Unicamp), em entrevista ao Estadão de ontem, parece usar um raciocínio muito parecido para explicar porque o Brasil está em recessão:
O PIB trimestral que estamos vendo é um problema que acontece uma vez e não se repete. A Copa praticamente paralisou a produção no País. As empresas praticamente pararam. Todo mundo aproveitou, descansou. Agora, não dá para reclamar.
Será que estão ensinando RBC na Unicamp?
domingo, 31 de agosto de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
PIBículo: a comment
All of it comes from subpar potential GDP, CESG.
All of it, boy.
Remember you asked Gary Hansen about rigid prices (or was it Botelho?)?
NO PRICE RIGIDITY, LAD !
It is all real, REAL shocks; productivity shocks (to hell with preference shocks and habit persistency, to HELL with this fag´s stuff)
The Great Depression itself was a sequence of adverse real shocks. Lee H, Mauro´s friend, has already made that crystal clear.
Ítalo Calvino e a Ciência Econômica
Na produção de Ítalo Calvino, um conceito dominante é a distinção entre abertura e fechamento. Já é hora desse conceito ser trazido à Ciência Econômica. O horizonte de novas possibilidades sugere como o interesse econômico é elemento da intertextualidade de linguagem. Se aceitarmos que a fundamentação da teoria do situacionismo tenha préstimo, admitiremos que a narrativa é uma criação do método científico. Concordam? A partir daí, adotar a expressão "significante epistemológico" para exprimir o papel do consumidor/investidor como participante dos modelos econômicos é bem direto. De certa forma, uma miríade de códigos referentes à teoria construtivista do situacionismo podem ser descobertos. Há ganhos aqui para a Ciência Econômica? Penso que sim.
Hein? O mala do Economista X deixou o Bruno completamente louco?
Quase. Mas ainda não cheguei a esse ponto. O parágrafo acima foi escrito por este gerador de textos aleatórios (com alguma ajudinha minha).
Um texto assim engana alguém? Engana! Vejam esta matéria no site da Nature. Que trash.
Produtividade marginal negativa
Sempre achei que não fazia muito sentido esse negócio de produtividade marginal negativa -- isto é, quando mais insumo leva a menos produto, ou ramo decrescente da curva acima (depois do ponto A). Sim, é uma possibilidade teórica. Mas por que deveríamos nos preocupar com ela? Que firma se colocaria em uma posição de destruir valor?
Bom, aconteceu comigo na última quarta-feira.
Cheguei às 9:00 da manhã na USP, dei aula às 11:00, e fiquei o resto do dia trabalhando, pois teria que dar outra aula às 21:20. E o cansaço bateu pesado. Estava trabalhando em dois códigos para Stata: o primeiro já estava pronto, e o utilizava para preparar o segundo. Ou seja, deveria editar o segundo. Quando percebi, tinha editado e gravado o primeiro! Perdi todo o trabalho que tinha feito antes.
Ou seja, mais horas de trabalho significaram menos produto. Produtividade marginal negativa!
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Voto estratégico
Bruno Giovannetti e Economista X sempre têm discussões boas e acaloradas. Nessa semana foi sobre voto (veja aqui e aqui). Vou aproveitar o ensejo para comentar o interessante paper de Thomas Fujiwara nesse tópico. Ele quer entender se as pessoas votam estrategicamente, ou seja, se podem não votar em seus candidatos favoritos para evitar um mal maior.
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