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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O "Economista X" agora tem novo endereço

Ladies & Gents, o blog está de mudança. A partir de hoje estaremos no endereço abaixo


Por que um novo site?
Com praticamente 1 ano de vida, o blog já teve mais de meio milhão de visitas, e no meio do caminho amealhou fama (somos o blog nº 1 do mercado segundo o Instituto Veritá...; exceto o Mantega e a Dilma, estudantes, professores e economistas "de mercado", de todas as crenças, leem nosso blog), sucesso e dinheiro. Não foi uma fortuna mas foi o suficiente para encomendarmos um site próprio. Algo mais profissional, que facilitasse a navegação do leitor dentro do nosso conteúdo e que oferecesse uma plataforma melhor para os próximos desenvolvimentos.

O que tem de novo?
Fora o layout, no novo site é possível encontrar posts por autor, assunto e "série" -- uma nova forma de organizar nossos posts. Há novas seções com informações utéis (links para dados e material de interesse da comunidade), vídeos e livros recomendados. Os comentários agora podem ser avaliados (thumbs up/thumbs down) e estão integrados ao Facebook. Há também informações mais detalhadas sobre quem são os colaboradores e o propósito do blog. Enfim, clique no link e dê uma volta pelo site.

O site ainda é um "work in progres". Sugestões e críticas ao novo site são bem-vindas.

A special thanks
Para Ana Pousada e Sônia Peyroton (Artes Café). Sem elas não teríamos entrado no ar com o novo site. Estamos gratos também ao Leandro e a Mayara da Apiki pela mãozinha com o wordpress. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Cursos pagos na USP: Bom ou ruim?


Foi com certo ar de reprovação que alguns jornais divulgaram esses dias a existências de vários cursos pagos na USP. São mais de 20 mil alunos inscritos nesses cursos -- uns falam em 22 mil, outros em 28 mil. Esperava um tom de lamento, dado que esses números poderiam e, a meu ver, deveriam ser muito maiores.

Ah os sindicatos...
Nem todo mundo tá feliz com isso. Veja por exemplo o que diz o presidente do sindicato dos professores da USP:
"A educação é um direito social, que não se paga", defende Ciro Correia, presidente da entidade. !A universidade é pública. Não pode haver esse conflito de interesses."
Veja a lógica dessas afirmações: é preferível que os cursos fechem, os vinte e tantos mil alunos migrem para outros cursos (possivelmente de qualidade inferior e todos na mão dos capitalistas malvados do setor privado) e a universidade e os professores (que o sindicato diz defender!) percam os trocados que estão todos ganhando com isso -- trocados que a universidade, em particular, usa para fazer manutenção na infraestrutura das salas de aula e dos prédios.

Dá pra levar a sério esses caras? Quer dizer então que devemos taxar mais ainda as pessoas para financiar curso de MBA e especialização, "direitos sociais" segundo o seu Ciro? 

Enfim. são ideias como essa que impedem as universidades brasileiras de realizarem o seu potencial (tem muito estudante e professor bom aqui).

Triconomics: Programa de Rádio sobre Economia


Carlos E. S. Gonçalves (aka Dudu), um dos founding fathers do blog e, junto com Mauro Rodrigues, autor de "Sob a Lupa do Economista", estreia na CBN um programa de rádio sobre economia. Com Alexandre Schwartsman e Luis Gustavo Medina, falará de conjuntura e de "economia do cotidiano".
O link para o aúdio do primeiro programa dos três pode ser encontrado aqui. Detalhes sobre o show abaixo.

Sobre o show
"Afinal, o que é Triconomics? Não se trata de nenhuma charada: três economistas vão se reunir duas vezes por semana para analisar – em profundidade, mas com bom humor e uma pitada de irreverência – o cenário brasileiro. O trio é formado por Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, e Carlos Eduardo Gonçalves, professor-titular da FEA-USP, com a mediação de Luiz Gustavo Medina (o Teco de Hora e Fim de Expediente). No clima de descontração do boletim, no Triconomics, Schwartsman e Gonçalves serão apenas Alex e Dudu.

Toda terça e quinta, ao meio-dia, a CBN vai disponibilizar um podcast de dez minutos do quadro pelo site. A primeira parte chama-se “Call de abertura”, expressão utilizada pelos bancos em suas reuniões, e vai tratar dos principais fatos econômicos; em seguida, vem o “Bestiário”, com as declarações mais polêmicas, ou mesmo inadequadas, que ganharam espaço na mídia; fechando o podcast, “Economia, modo de usar” vai ficar sob a responsabilidade de Carlos Eduardo Gonçalves, mostrando o que está por trás do preço da pipoca ou do custo de uma joia – o economês traduzido para o mundo real. Apesar de ficar disponível primeiro na internet, o Triconomics também tem espaço na programação radiofônica. O “Call de abertura” é um quadro fixo no CBN Brasil, ancorado por Carlos Alberto Sardenberg, e vai ao ar, às terças e quintas, logo após a edição das 13h do Repórter CBN." (Texto da CBN)

Sumário do 1º Programa
Nenhuma ação do governo agora vai impactar no crescimento do PIB de 2014: Efeitos só devem ser sentidos no próximo ano. Segundo os economistas, as políticas equivocadas foram as responsáveis por esse cenário, que não está relacionado com a crise internacional (Fonte: CBN).

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Bizarrices da academia


Buscando papers aleatórios na web, trombei com este. Basicamente, a contribuição do artigo é ser o primeiro com quatro co-autores com o mesmo sobrenome -- Goodman, Goodman, Goodman and Goodman (2014). Só isso. Abaixo o abstract:
We explore the phenomenon of coauthorship by economists who share a surname. Prior research has included at most three economist coauthors who share a surname. Ours is the first paper to have four economist coauthors who share a surname, as well as the first where such coauthors are unrelated by marriage, blood or current campus.
E são todos pesquisadores sérios: um dos Goodman é de Harvard, outro de Maryland, o terceiro do Fed, e o quarto de Wayne State.

Pior: está forthcoming no Economic Inquiry.

Aliás, o próprio Economic Inquiry já tinha publicado um paper empírico do James Heckman, acerca do efeito de orações sobre o comportamento de Deus (aqui).

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Piketty

Apresentação de Thomas Piketty, no TED.


Algumas observações:

1. Se você não conseguir entendê-lo por causa do sotaque, tem uma versão com legendas aqui.

2. Engraçado uma apresentação sobre desigualdade de riqueza (e seus problemas) ser patrocinada pela Rolex.

3. O ponto de Piketty é que o aumento da desigualdade está associado à diferença entre r (a taxa de retorno do capital) e g (taxa de crescimento do PIB). Daron Acemoglu e James Robinson têm um paper recente, em que não encontram correlação nenhuma entre r - g e índices de desigualdade para um painel de países (aqui).

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Jean Tirole ganha o Prêmio Nobel


Acabou de sair:
The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2014 was awarded to Jean Tirole "for his analysis of market power and regulation".
Jean Tirole é o primeiro francês a ganhar o prêmio desde Maurice Allais, em 1988. E, ao contrário da grande maioria dos laureados, não está afiliado a uma instituição americana  -- é professor da Toulouse School of Economics (mas passou pelo MIT nas décadas de 1980 e 1990).

Mais aqui.

domingo, 12 de outubro de 2014

Projeções para o Ebola



O Ebola continua crescendo na África.

Eu, armado de minha hipocondria e de minha econometria, fui dar um googada nas projeções por aí.

Bad news... (as quais, ao que me parece, andam sendo omitidas por aqui...)

Esse paper, recém saído no New England Journal of Medicine (o Econometrica da Medicina), prevê que a coisa na África vai piorar bastante: devemos chegar a 20 mil casos no começo de novembro.

Mas alarmante mesmo é o "worst-case scenario" do Centers for Disease Control and Prevention (CDC): mais de 1,4 milhão de casos no começo de 2015. Veja aqui. A planilha deles para suas próprias simulações está aqui (se vc for paranóico como eu, sugiro que não brinque com ela.)

Boa noite.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Por que restringir o consumo de bebidas alcoólicas pode ser uma má ideia?


Há um par de semanas atrás um jovem foi encontrado morto na raia olímpica da USP. O jovem desapareceu em uma festa dentro do campus universitária na qual compareceram, segundo os organizadores, cerca de cinco mil pessoas (ver notícia aqui).

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Dilmês

A Folha fez um infográfico com pérolas da nossa presidenta (aqui). Para mim a melhor de todas é a seguinte:
Obras das mais variadas desde obras de mobilidade urbana, como é a solução ali do Largo do Abacaxi, da Via do Abacaxi, Rótula do Abacaxi, que virou, segundo eles, quando eu fui lá inaugurar, uma rota diferente, uma rótula diferente a Rótula do Quiabo, a Rótula que saí abacaxi tranca e o quiabo flui.
A passagem acima faz parte de um discurso dado em Camaçari (BA), em 30/4/2014, na entrega de unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida. O discurso inteiro está aqui.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

BALEIA BALEIA BALEIA!


Essa foi a notícia que saiu no jornal depois de uma baleia ter dado um tiro na outra.

E a baixaria continua

O PT volta a bater na tecla de que independência do BC significa entregar a política monetária para os bancos. Mas dessa vez foram mais longe (veja vídeo abaixo). Estão insinuando que Marina quer dar o BC de bandeja para o Itaú.

Triste que o debate tenha descambado para isso. Mas parece que esta estratégia está funcionando. Vide o crescimento de Dilma nas pesquisas.



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Economist X passed yesterday

Friends, it is true. He is dead now, my old chap X...didnt believe in god, but probably went to Heaven anyway. It was a heart attack that took him from us. He read that Dilma Roussef dismissed plans of fiscal tightening as something unimportant and couldnt bear it. His heart was fragile since Brazil lost to Germany, 7-1, and was in and out of hospitals because couldnt avoid reading the economic news -- as his doctor had prescribed. The recent rise of Dilma in the polls only made things more difficult for him.

Let´s honor the spirit of our friend X, let´s fight for all he stood for, beginning with a decent fiscal policy. 

We will miss you, X. Wherever you are, buddy, pray for us Brazilians -- we desperately need some divine help. 

Receita Federal preocupada com o emprego


Saiu uma reportagem no Estadão em 24/09/2014 dizendo que a "Receita Federal vai apertar a fiscalização nos aeroportos em 2015".

Vários aspectos me chamaram a atenção. Passo a discuti-los a seguir.

Violação de Privacidade

As companhias aéreas informarão vários dados dos passageiros ainda na origem do vôo como peso da bagagem, origem do vôo, localização do assento do passageiro (!), etc. Depois disso, a Receita Federal cruzará com os dados que tem para decidir se o passageiro será ou não fiscalizado. 

Tenho a impressão que os Estados Unidos fazem isso, mas a alegação é outra. Eles estão preocupados com terroristas e não me consta que o cidadão de seu país seja fiscalizado por causa dessas informações. Por isso, acredito que a informação vá para a Imigração e não para o IRS. Se isso for correto, o procedimento no Brasil é inovador.

Então, pergunto se o envio dessas informações à Receita Federal não constitui violação de privacidade. Alguém sabe responder?

Atraso na Implantação de Leitura Facial

O procedimento de fiscalização será feito via leitura facial. Isso já é feito em países europeus e nos EUA, portanto a imigração está caminhando na fronteira das inovações tecnológicas. (Ou seria a Receita Federal?).

Para não variar, a tecnologia deveria ter sido implantada antes da Copa, mas não foi. Você está surpreso(a)?

A Pérola

O que mais me chamou a atenção foi a seguinte frase proferida pelo Secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto (ou, não ficou claro, pelo Subsecretário, Ernani Checcucci): "A atividade aduaneira não é só tributação. Buscamos a proteção da indústria e do emprego nacional." 

A frase revela várias coisas interessantes que passam na cabeça de nossas autoridades.

1. Desde quando é função da Receita Federal proteger a indústria e o emprego nacional?

2. A frase não vem da cabeça desses nobilíssimos contribuintes. Certamente foi ouvida nos corredores da Ministério da Fazenda e reproduzida na entrevista. Por que essa inferência? Porque o fiscal da Receita Federal é... fiscal, e a ideia estúpida que fundamenta a frase não é típica de fiscais da receita, mas de técnicos de outras alçadas.

3. Mostra que a Receita Federal tem consciência de que sua atividade de arrecadação é mal vista, por isso precisam achar uma função melhor para o que fazem. Mas, note, ela só é mal vista, porque a população não recebe dos pagamentos de impostos a prestação de um serviço decente na saúde, segurança pública, etc.

4. A ideia revela a grande "maldade" da Receita Federal: prejudicar o tanto quanto puder o consumidor, principalmente aquele que é assalariado, junta um dinheirinho para ir ao exterior e não pode trazer produtos de lá.

5. A ideia revela hipocrisia, pois, se a função da Receita Federal fosse, de fato, proteger o emprego nacional, deveria reduzir a carga tributária, estimulando o consumo interno e as exportações. (Eu sei que não é a Receita Federal que determina quais impostos e por qual alíquota serão cobrados. Mas essa ideia protecionista vem da alçada que pode alterar a lei para isso.)

Enigma

Não sou contra o aumento da fiscalização para cumprimento da lei. Mas, sou contra a manutenção do teto de US$ 500 para compra de produtos no exterior. Esse valor é o mesmo há décadas. Considerando que o número de brasileiros que viajou para o exterior no primeiro semestre foi de 11 milhões de pessoas (está na mesma reportagem), e que todos eles trazem esse valor em produtos do exterior, isso representa 0,57% do PIB. Mesmo os gastos totais de viagens ao exterior não é muito representativo em relação ao PIB, acho que deve ser algo em torno de 1,4%.

Aí ocorre-me o seguinte enigma. São fatos que o valor a ser gasto com mercadorias trazidas por turistas não é tão representativo em termos de PIB e que o valor máximo está congelado há décadas. Além disso, o aumento do valor máximo estimularia a competição com produtos nacionais com o potencial de melhorar sua qualidade e o preço ao consumidor final. Então, por que o governante do turno não acena com um pequeno afago à classe média e aumenta o valor máximo de mercadorias que é permitido trazer do exterior para uns US$ 2 mil?

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O pesadelo burocrático brasileiro

A foto abaixo foi tirada durante uma apresentação de Gerald Deguen, vice-presidente da BMW no Brasil. O slide mostra as licenças necessárias para instalar a nova fábrica da empresa em Santa Catarina. Um verdadeiro pesadelo, que ilustra bem o tal do custo Brasil. 


Fonte: Francisco Fresard, colunista do Jornal de Santa Catarina (link).

A Indústria de Hedge Funds


Há uma enorme curiosidade dos alunos de economia, e mesmo de boa parte do público em geral, sobre características dos chamados mercados financeiros. No intuito de saciar ao menos um pequeno pedaço dessa curiosidade, o blog publicará textos sobre o assunto feitos pela "Liga de Mercado Financeiro" da FEA-USP (link para a página aqui). A Liga é uma associação criada e dirigida por estudantes do curso de economia que, no intuito de divulgar a área, promove seminários com profissionais do setor, divulga material de ensino, organiza cursos e produz uma revista com assuntos da área distribuída em várias universidades paulistas.

O texto abaixo, de autoria de André de Souza Limaintroduz de forma didática esses veículos de investimentos conhecidos por sua agressividade -- os hedge funds.

***

Em uma tradução livre, hedge funds são fundos que fazem hedge, ou seja, se posicionam comprados e vendidos em diversos tipos de ativos. Eles, dessa maneira, conseguem diminuir sua exposição ao risco de mercado e tentam alcançar retornos mais altos. Na prática, o termo hedge fund é utilizado para diversos tipos de fundos, muito diferentes entre si, voltados a investidores qualificados, com uma estrutura peculiar, pouco regulados e com gestores que, na maioria das vezes, investem seu próprio capital.

O primeiro gestor de hedge funds foi Alfred W. Jones, no fim da década de 40. Ao contrário do que se possa pensar, Alfred não frequentou nenhuma escola de negócios, não tinha um PhD em finanças quantitativas e nem trabalhou em um banco de investimentos. O precursor dessa indústria era muito mais um intelectual do que um investidor, um homem que viajou o mundo de navio e trabalhou em um grupo anti nazista clandestino, o Leninst Organization.

Aos quarenta e oito anos, com apenas cem mil dólares, Alfred criou o primeiro hedge fund da história. Com isso, desenvolveu a estrutura que perdura até hoje: i) taxas de administração, ii) taxas de performance, iii) pouca regulação e transparência de informações para os cotistas, iv) a estratégia long and short, v) alavancagem.

Alfred percebeu, durante seus estudos de análise técnica, que era muito difícil conseguir prever para qual direção o mercado se moveria. Com isso, começou a pensar em maneiras nas quais poderia manter todo o seu capital investido, e ainda assim ter uma menor exposição a todas as reviravoltas que o mercado poderia ter. Sua principal conclusão foi que um gestor de fundos poderia combinar duas técnicas muito poderosas: comprar ações que ele considerava promissoras com dinheiro emprestado (alavancado) e vender outras não tão boas à descoberto. As duas técnicas eram consideradas muito arriscadas, mas, se combinadas, poderiam produzir um portfólio bastante eficiente. Dessa maneira, ele pôde criar o primeiro “Hedged Fund”.

Com o crescimento da partnership, Alfred convidou alguns gestores para cuidar de partes do seu portfólio. Na busca por talentos, ele criou uma estrutura inovadora: a taxa de performance de 20%. O fundo contratava gestores especialistas em diferentes tipos de ações, pedindo que eles investissem seu próprio capital no empreendimento, e dando-lhes 20% do que excedesse algum benchmark. Na realidade, Jones estava criando um fund of funds dentro da sua empresa. Durante os anos 60, o fundo teve retornos espetaculares e foi o pilar para o desenvolvimento de uma indústria que, nos dias de hoje, supera $1,5 trilhão de dólares.

Ao longo dos anos, outras estratégias foram sendo desenvolvidas e a indústria de hedge funds alcançou números robustos, passando de apenas $90 bilhões de dólares no inicio dos anos 90, para $1,5 trilhão de dólares e mais de 8.000 fundos. Mesmo sendo menor que a indústria de mutual funds, os hedge funds mostraram-se, com o passar dos anos, uma alternativa de investimento muito viável e crescente no mercado financeiro.

Com o tempo, cada fundo acabou se tornando especialista em determinada estratégia. De acordo com a Revista Bloomberg Markets (Jan/2006), as principais estratégias são:

1. Event – Driven Strategies: Nessa estratégia, o fundo tenta tirar proveito de determinadas situações, tanto políticas quanto de negócios, que podem afetar o valor de determinados ativos.

2. Long Short Equity: É a técnica que consiste em construir posições compradoras ou vendedoras sobre algumas ações que podem se valorizar ou se depreciar. Essa técnica consegue se beneficiar de grandes distorções do mercado.

3. Macro Investing: Talvez a estratégia mais famosa nos últimos 30 anos, empregada por George Soros, Stanley Druckenmiller e Louis Bacon. É, também, a estratégia mais ampla da indústria. Os gestores trabalham para buscar ineficiências de preços e tentar prever os efeitos nos preços dos ativos de alguns eventos macroeconômicos e políticos.

4. Fixed – Income Arbitrage: Consiste na tomada de posições long and short em ativos de renda fixa. Normalmente os ganhos de arbitragem são aumentados com alavancagem.

5. Convertible Arbitrage: É a estratégia que o gestor combina posições longas em obrigações conversíveis em ações e short nas mesmas ações. Essa estratégia é interessante, uma vez que o instrumento híbrido, ou seja, a obrigação tende a cair de forma menos intensa do que a ação.

6. Commodities: Estratégia em que os gestores tentam prever os efeitos de possíveis ajustes na oferta e na demanda de determinadas commodities. Com isso, torna-se possível, com base em projeções, beneficiar-se de altas ou baixas nos preços.

Com a estabilização da moeda brasileira, a posterior queda na taxa de juros, e o desenvolvimento de gestores independentes em plataformas de private banking ou family offices, ampliou-se no Brasil a indústria de fundos multimercados. De maneira geral, pode-se classificar um fundo multimercado como sendo um hedge fund brasileiro.

Uma diferença importante entre os multi-mercados e os hedge funds é o seu benchmark. Se nos EUA a busca principal é por retornos absolutos, no Brasil essa busca é por superar o CDI.

No Brasil, os fundos multimercados são geridos, em sua maioria, por gestores independentes, ou seja, empresas que não necessariamente fazem parte de alguma instituição financeira, mais conhecidos como Assets. Esse tipo de modelo permite a criação de uma maior gama de opções de investimentos. Essa é a chance de o cliente possuir um atendimento mais personalizado, além do fato de normalmente serem formadas por profissionais com ampla experiência no mercado.

Historicamente, os fundos multimercados brasileiros não precisavam de muito esforço para conseguirem retornos altos. Em virtude da alta taxa de juros, o Brazil Kit – nome dado pela revista The Institutional Investor ao portfólio composto na maior parte de renda fixa, com retornos de dois dígitos, e algumas ações, câmbio, etc – era uma fonte bastante segura de se obter retornos reais de 6%. Com a estabilização econômica e desenvolvimento do mercado de capitais, a indústria de fundos no Brasil vem se sofisticando consideravelmente.

De maneira geral, os fundos brasileiros são bem vistos pelos investidores internacionais. Em Junho de 2011, a Bloomberg elogiou a transparência da indústria de fundos nacional bem como seu retorno, apesar de bastante apoiado em títulos de renda fixa. Algumas das maiores gestoras do país já nem aceitam investimentos, em virtude do seu grande tamanho, comparado ao relativamente pouco desenvolvido mercado de capitais brasileiro.

André de Souza Lima é Gerente de Projetos da Liga de Mercado Financeiro da FEA-USP.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Universidades paulistas pedem mais dinheiro (Bail me out!)


                                              Fonte: Folha

porque pedir mais mesada, afinal, não custa nada...

USP em crise
Aproveito para divulgar uma ótima iniciativa de quatro alunos de pós-graduação da USP. Eles criaram um blog -- o "USP em Crise"* -- onde mostram o ótimo trabalho de levantamento e divulgação de dados orçamentários da USP que estão fazendo. É até lamentável que uma iniciativa dessas de tentar diagnosticar e dar transparência ao que se passou nessas universidades nos últimos anos não tenha partido das unidades de gestão financeira das próprias universidades, sobretudo  porque estão prestes a pedir mais dinheiro dos contribuintes paulistas. Paciência.

Do conjunto de dados divulgado no blog, gostaria de destacar duas figuras. A primeira é essa figura logo abaixo com a evolução dos gastos com pessoal nos últimos vinte e oito anos.

Sobre os dados nessa figura eles comentam: 
De maneira geral, entre 1986 e 2013, observa-se uma tendência de crescimento dos valores gastos tanto com pessoal quanto com outros gastos. Esse segundo tipo variou de R$ 354 milhões (1986) para R$ 1 bilhão (2012), enquanto o gasto com pessoal variou de R$ 1,3 bilhões (1986) para R$ 4,3 bilhões (2013) – todos esses valores foram corrigidos pela inflação, usando o IGP-FGV de maio/2014.
A segunda figura, abaixo, mostra o número de funcionários e docentes contratados desde o ano em que a USP recebeu autonomia financeira (em 1989). A figura deixa evidente, ao contrário do que muitos possam acreditar, que não houve uma explosão de contratações.







* Agradeço ao Mauro pela dica.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Dilma e o contrafactual

Na campanha eleitoral vale tudo: desde argumentos sofisticados, até coisas super toscas. Abaixo uma seleção da presidenta Dilma. O primeiro trecho reflete o uso adequado de um raciocínio contrafactutal. Sim, a indústria está patinando. Mas só isso não é suficiente para afirmar que a culpa é do governo. É preciso saber qual seria o contrafactual, isto é, o que aconteceria com a indústria caso as políticas do setor não tivessem sido implentadas?
A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) voltou a defender nesta quarta-feira, 3, em Belo Horizonte todas as realizações de seu governo na área industrial. Ela reconheceu que tem muito ainda a ser feito, porque o País enfrenta um momento difícil, mas alertou para os problemas que o país teria caso seu governo "não tivesse feito uma política industrial". (Fonte: Exame)
Mas no trecho abaixo (extraído do perfil de Dilma no Facebook) o contrafactual foi para o saco. Dilma e Lula criaram milhões de empregos e ponto. Não interessa se os mesmos (ou até mais) empregos teriam sido gerados, caso o PT não estivesse no poder:
Enquanto isso, no Brasil, os governos Dilma e Lula criaram mais de 11 milhões de empregos.
Por fim, nessa mesma postagem no perfil da Dilma, tem um argumento ridículo contra a independência do Banco Central: 
A autonomia do Banco Central, medida defendida por Marina Silva, é um perigo para o País.
A medida tira do presidente da República e do Congresso, eleitos pelo povo, o controle sobre a política econômica do País e entrega para os bancos.
Aí, banqueiros passam a decidir sobre juros, preços, salários, política externa e orçamento.
Importante lembrar: o poder sem limites dado aos bancos levou à crise que fez evaporar 60 milhões de empregos no mundo.
Aí, banqueiros passam a decidir sobre juros, preços, salários, política externa e orçamento.
Importante lembrar: o poder sem limites dado aos bancos levou à crise que fez evaporar 60 milhões de empregos no mundo.
Quer dizer que é mais fácil comprar um banqueiro central (se independente) do que um político?

Aliás, o PT está investindo forte nesse ponto. Tem até um vídeo no site da Dilma, abusando da famosa politics of fear:


(Agradeço a Fernando Botelho e a um comentarista anônimo pelas sugestões).