quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mulheres no mercado de trabalho


Meu tio, o X, disse que as mulheres devem ser prestigiadas. Esse Sérgio disse que eu tenho "poor grasp" de economia. Bom, eu ia ficar no meu cantinho quieta, mas esse machismo dele me irritou.

Pois bem, antigamente a divisão do trabalho era assim: homens para tarefas que exigiam mais força física, mulheres para tarefas mais delicadas. Mas hoje não tem mais tanto essa de força física ser uma característica relevante para determinar vantagens comparativas. Por isso estou aqui. Posso ler o Mas-Collel que nem os homens, posso digitar também esse post. Como o tal do Sérgio.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Temperatura, crescimento e o experimento do meu colega


Qual é o impacto do clima no desenvolvimento econômico? Alguns acadêmicos de ponta têm trazido novas evidências sobre questão. Veja, por exemplo, esse paper da Melissa Dell e co-autores que saiu no American Economic Journal: Macroeconomics.

Um colega meu, professor universitário, fez, sem querer, um belo experimento sobre o assunto. Ele dá o mesmo curso para duas turmas distintas. Cada turma tem um pouco mais do que 50 alunos. No dia da prova, ele colocou cada turma em uma sala diferente, na mesma hora, e aplicou a mesma prova para todos. Acontece que o ar-condicionado da sala da turma 1 estava quebrado e, de acordo com ele, ficou um calor dos diabos durante a prova. Já, na sala da turma 2, o ar estava "no ponto".

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Acenda a luz quando for ao banheiro


Ser economista nos leva, às vezes, a linhas de pensamento meio esdrúxulas. Esta me ocorreu frequentando toaletes corporativos.

Alguns desses toaletes (como o dos professores da FEA, por exemplo) recebem boa iluminação natural. É normal, portanto, que muitos usuários não acendam a luz quando o utilizam. No entanto, sempre que entro em um banheiro desses, se a luz está apagada não espero encontrar ninguém lá dentro e me surpreendo quando encontro alguém.

Speculative attack on Fiscal Policy?


Man, that is something new.

This Asno guy, from the Brazilian government, is a highly creative naughty boy.

Speculative attack on fiscal policy?? What the fuck does it mean? Oh, man...I took my PhD in the mid-90s and back then I studied with gusto the literature on speculative currency attacks (I was Krugman´s fan when I was young, I candidly confess).

Policy Propensity Score (difficile)

Li ontem o paper NBER19414, do Jorda e Taylor sobre impacto de consolidação fiscal na atividade.

É um debate quente. Ajuste fiscal ajuda ou atrapalha na atividade? Até alguns anos atrás, a evidência que tínhamos era de que corte de G auxiliava na atividade. Essa evidência foi contestada recentemente por um artigo do FMI, usando a técnica de "narrativa" para identificar mudanças exógenas da política fiscal (a medida da narrativa é a variável instrumental para a variável fiscal). Com esse método descobrimos que contrações fiscais são contracionistas se o estado inicial da economia for fraco.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O juro japonês caiu



Diziam que o juro real no Japão não cairia com a proposta do Abe de dobrar a base monetária por lá. A ideia por trás dessa tese era que esse movimento geraria aumento de expectativa de inflação e uma reação de mercado, que elevaria o juro nominal mais ainda antecipando uma reação anti-inflacionária do Banco Central do Japão (BoJ). Sempre achei essa tesa esquisita. Ué, com o BoJ querendo gerar inflação positiva por que os mercados de títulos antecipariam que ele, BoJ, iria voltar atrás no futuro e aumentar o juro nominal? Ok, promessas sobre política monetária frouxa nem sempre são críveis, mas nesse caso o banco central estava socando o pau na base ao mesmo tempo que fazia a promessa...Bom, o resultado está aí: os juros reais caíram sim. Obviamente, precisa vir reforma estrutural, mas conseguir elevar a expectativa de inflação e derrubar o juro real foi um passo importante.

sábado, 2 de novembro de 2013

Galvão Bueno e a Crítica de Lucas


No último post mencionei a crítica de Lucas. Lembrei-me de outro post (veja abaixo) que escrevi há algum tempo sobre o assunto, em um blog que não existe mais. A partida em questão é Argentina 1x3 Brasil, pelas eliminatórias para a Copa de 2010, em 5/9/2009.

Galvão Bueno e a Crítica de Lucas

No fim da década de 70, Robert Lucas (prêmio Nobel de 1995) lançou um argumento - a chamada "Crítica de Lucas" - que colocou em dúvida as predições dos modelos macroeconômicos de então. Tais modelos supunham que os agentes econômicos agiam "olhando para trás", ou seja, utilizavam somente informações passadas para pautar suas ações. Nesse sentido, qualquer notícia nova (tal como um anúncio do governo) não influenciaria em nada o seu comportamento.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Short Euro

Não, não é porque o Dragui vai baixar 0.25 na quinta semana que vem. É o triângulo da Elliot wave (wedge diamond):


IPVA


Em janeiro, teremos que pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores - IPVA. Bem, pelo menos quem tem carro terá que pagar.

Em São Paulo, o pagamento funciona assim: quem pagar à vista em janeiro tem 3% de desconto. Pode-se pagar sem desconto em fevereiro. Se preferir parcelar em três vezes, a primeira parcela é em janeiro, a segunda, em fevereiro e a terceira, em março.

- 10 bilhões


Pois é, esse foi o resultado fiscal primário (sim, você não leu errado, primário, ou seja, sem contar juros) do governo em setembro. no acumulado do ano, o superávit é de 1,5% do PIB, e o governo ainda promete 2,3% para o ano todo! Mas no último trimestre sempre tem mais despesa, então a média piora...será que o governo acha que somos idiotas, ou o Mantega não sabe fazer essa conta mesmo?