quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Curso de Economia: Por que não se fazem mais "Celsos Furtados"?

Em sua última coluna na revista Carta Capital, o professor Vladimir Safatle escreveu um simpático artigo sobre Celso Furtado. Chamou-o de "o brasileiro do século". Ver o artigo aqui.



Alguns poderão achar que tal distinção é um exagero, dado que poucos dos insights teóricos de Furtado parecem ter sobrevivido na literatura "moderna" da disciplina -- talvez Furtado até isso desejasse, sabedor que era de que toda obra científica tem por destino envelhecer e ser ultrapassada. Mas no contexto em que sua obra foi escrita, não há dúvida sobre o pioneirismo dos livros de Furtado sobre a historiografia econômica brasileira -- seu livro mais famoso Formação Econômica do Brasil, é uma interpretação ambiciosa e eclética da história econômica brasileira ao longo de cinco séculos que mistura teoria econômica, história, sociologia marxista e até bits de demografia e economia política. Não é por acaso que, quando do seu lançamento (em 1959), esteve entre os livros mais vendidos (vendeu quase tanto quanto Gabriela, Cravo e Canela, o "Top 1" da época) e ganhou ao longo dos anos edições em vários outros idiomas.

Qual a formação ideal do economista?
Mas a parte que quero destacar do artigo é uma em que, no meio dos louvores à Celso, o Professor Vladimir nos oferece suas reflexões críticas sobre o curso de economia e a formação oferecida. Diz ele:
Pois Furtado sabia que não era o caso de falar apenas da produção do que se estoca e do que se consome, mas produtividade da criatividade humana nos campos da cultura. Ele sabia mais do que todos não haver crescimento sem desenvolvimento das potencialidades criativas da vida social. É esse desenvolvimento das potencialidades que deve orientar a verdadeira reflexão econômica.
Dificilmente encontraremos algo tão distante da formação instrumental e financista que hoje nossos alunos recebem nos cursos de economia deste país, para quem uma consideração dessa natureza parecerá quase um devaneio poético. Por isso, quem mais desconhece Celso Furtado são, atualmente, os economistas, principalmente esses que acreditam que pensar um país é operação feita com a mesma racionalidade de quem gerencia carteira de investimentos. Afinal, o que esperar de uma ciência humana recalcitrante que acredita hoje garantir suas cartas de nobreza vendendo-se como setor aplicado das, vejam só vocês, “ciências matemáticas”?
As observações do Professor Safatle sobre o curso de economia são interessantes por duas razões. 

Primeiro porque levantam a velha e surrada questão de quanto de "ecletismo" e "diversidade metodológica" deve existir no currículo de graduação da disciplina -- ou, como prefiro ver, do conflito entre saber muito de pouco ou pouco de muito. Vale lembrar aqui que Furtado, nem ninguém eclético como ele, é produto de curso universitário algum. Logo, é meio inútil lamentar que não formamos mais Celsos Furtados. Ninguém nunca os fez.

Segundo, e talvez mais importantemente, porque ilustram como títulos e cátedras acadêmicas ou já não mais funcionam para exigir rigor factual mínimo no que se fala ou servem para desinibir quem os detém de falar inverdades e imprecisões deseducadoras. Afinal, o que há de financista, pelo amor de Zeus, na formação de economista hoje? E quem diabos quer uma formação não-instrumental (I wonder o que poderia ser isso..)? E em que universo o uso de estatística, um pouco de cálculo e de álgebra linear torna uma disciplina "um setor" da matemática? Ou serão, por analogia, as manicures um setor aplicado da dermatologia? 

Beat me...but beat me good
Há muito o que se criticar na formação de economista oferecida nas universidades brasileiras -- a falta de especializações sendo a principal crítica a meu ver. Mas criticá-la (1) pelo que é desejável (ter um componente instrumental, coisa que sem a qual, não haveria ninguém habilitado para, como Celso Furtado, interpretar novos eventos, mas apenas serem papagaios de histórias alheias) e (2) por não emular em treinamento de 4 anos um estado de conhecimento e ecletismo construído com décadas de autoestudo -- Furtado tinha quase 40 anos quando escreveu Formação Econômica do Brasil! -- é simplesmnente tolo.

38 comentários:

  1. Mas o Brasil forma vários Celso Furtado por ano.

    João Sicsu, Maria Tavares, Belluzo, etc...

    Mais 10 Furtados e isso aqui vira a Zãmbia.

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    1. Melhor comentário uahsuhsuhausa

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    2. E forma caminhões de ''liberalóides'' desde sempre.
      Dispenso dar nomes aos bois.

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    3. Cite um economista com doutorado em alguma universidade brasileira com conceito CAPES 6 ou 7 que pode ser classificado como liberalóide.

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    4. ué, e não tem economista com doutorado em alguma universidade brasileira com conceito CAPES 6 ou 7 que poder ser classificado como heterodoxo?

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    5. Sensacional!

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    6. Estão esquecendo que Hayek foi um grande crítico da apropriação dos métodos das ciências naturais pela economia, ilustrado no Pretense of Knowledge, o seu discurso de aceitação do Nobel de 1974.

      http://mises.org/daily/3229

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  2. talvez seja algo próprio da evolução da economia como ciência. com os métodos quantitativos hoje disponíveis, e com a evolução teórica da macro e micro da década de 70 e 80, não necessitamos mais (ou pensamos que não necessitamos) de grandiosas explicações e tentar dar um sentido único para a economia, como furtados, caios prados e etc tentaram

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  3. "Por isso, quem mais desconhece Celso Furtado são, atualmente, os economistas, principalmente esses que acreditam que pensar um país é operação feita com a mesma racionalidade de quem gerencia carteira de investimentos." - Este comentário também me parece equivocado. Na USP lemos Formação Econômica do Brasil na íntegra, entendendo sua importância como paradigma na literatura, e articulando a obra às críticas posteriores.

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  4. Sérgio, sou aluna de economia da FEA e acho que a crítica do Safatle merece atenção; não porque devemos formar mais Celsos Furtados na forma literal. Isso é ingênuo e chega a ser risível. Mas tem pontos bem relevantes que costumamos evitar discutir a todo custo na FEA e que seriam de imensa importância para melhorar a qualidade do curso e a satisfação tanto dos alunos, quanto do departamento (presumo eu, a parte do departamento é só achismo).

    I) "Dificilmente encontraremos algo tão distante da formação instrumental e financista que hoje nossos alunos recebem nos cursos de economia". Essa achei a parte central. Falando da FEA, nós recebemos muita formação instrumental nos cursos obrigatórios, e geralmente não conseguimos nem interpretar as ferramentas que usamos. Um primeiro exemplo é relacionado aos modelos de macro: Nós saímos de macro I sabendo lidar muito bem com os modelos que têm Curva de Philips, Regra Monetária, IS e afins, mas nem sabemos o que de fato significa, na economia, uma curva de Philips. Sabemos as variáveis, mas não sabemos o significado, como opera, as críticas, nada disso. Nem sabemos que essa curva foi tão largamente criticada. Um segundo exemplo é relacionado à micro: nós aprendemos todo aquele ferramental e tem aluno que acha que aquilo é exclusivamente técnico, que não há nenhum pensamento político por trás da micro ortodoxa. Nesse sentido, nossa formação é exclusivamente instrumental e forma alunos (falando de maneira massificada, obviamente) sem poder de interpretação nem dos modelos, nem da realidade. Meu ponto é que nós precisamos ter contato com as ferramentas para pensar, mas também precisamos aprender alguma coisa mais aplicável, que chegue mais perto dos alunos e da vida real.
    A segunda consideração vem a reboque da primeira: Acho que a interpretação do "financista" do Safatle é justamente relacionado ao distanciamento do universo que fica ao redor do mundo financeiro. Não é difícil ver isso na prática: Temos inúmeros FEAnos de destaque no mercado financeiro, mas praticamente nenhum no cenário econômico do país (em comparação com a PUC Rio, por exemplo). Nós somos excelentes financistas, mas pouco desenvoltos na parte da economia que exige a articulação entre as nossas prezadas matérias exatas e as matérias humanas.

    Olhando para os alunos, acho que a culpa também é nossa. Essas críticas que expus são quase diárias nas conversas pelos corredores da FEA, mas não conseguimos nos articular para fazer o curso ser minimamente mais interessante. Todo mundo entra em economia achando que vai, pelo menos, entender o caderno de economia dos periódicos internacionais. Que vai aprender câmbio em macro, mas o que acontece é que, apesar de aprendermos a parte básica em macro, só sabemos como ele de fato opera quando chegamos em FES (isso para citar um exemplo bobo na faculdade e hiper relevante fora dela). Não conseguimos fazer nossas demandas e expectativas chegarem no corpo do departamento.

    Em relação ao Saflatle, acho que a intenção era falar de economistas que pensem nosso contexto de uma forma particular; que produzam estudos novos, interessantes, que consigam transitar entre várias áreas do conhecimento - com a política, por exemplo, como bem disse o Eichengreen na palestra do ano passado no FEA 5, sobre a necessidade do economista não se isolar nos modelos e incorporar um pouco de política na sua realidade. Prefiro não acreditar que ele tenha tentado uma aproximação tão rasa. Nem de longe acho que devemos nos tornar o curso da UNESP, por exemplo, que mal vê IS LM ou os 7 primeiros capítulos do Nicholson. Mas acho que somos mal preparados para pensar, articular e escrever sobre economia e excessivamente bem preparados para resolver exercícios.

    Por fim (acabou virando um desabafo, sorry), acho uma pena que uma crítica como essa precise vir da FFLCH. Nós temos capacidade e heterogeneidade para produzir esse tipo de reflexão e absorver o que ela tem de melhor para o nosso departamento.

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    1. Honestamente, sua proposta é apenas politizar a porra toda e ficar discutindo implicações políticas das teorias que você não gosta, ao invés de aprender verdadeiramente.

      Duvido que você saiba a matemática das coisas e não saiba o significado.Ou sabe ambos ou não sabe nenhum.

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    2. Olá Bárbara,

      Muito obrigado pelo comentário. Sua crítica -- que sei mesmo que é também de outros alunos -- de que o curso não parece prover pontes entre ferramentas e realidade é válida e tem sido objeto de discussão entre vários colegas da FEA. Somos pois sensíveis à ela. Mas sou cético quanto à habilidade dos cursos de economia (da FEA ou qualquer outro lugar do mundo) em atacar essa demanda. E por por três razões:

      Primeiro por causa da restrição de tempo: a caixa de ferramentas do economista anda cada vez maior; e as ferramentas mais poderosas para analisar a realidade têm muitas mais peças do que no passado. Resultado: com a restrição de tempo e a obrigação de cobrir várias disciplinas, ao fim da graduação o aluno só viu uma montagem incompleta de poucas ferramentas. Tipo assim: precisaria de uma retroescavadeira, mas só tem em mãos um chassi de trator com os pneus. Pode andar around, mas não cava buracos. E com ferramentas incompletas não deve ser surpreendente que se sinta mal preparado para analisar cenários "da vida como ela é". É como eu digo em sala: a graduação estuda as estrelas vísiveis do céu: todas já estão mortas mas (vc precisa estudá-las porque) serão material para as novas estrelas.

      Segundo por causa do treino especializado que recebemos: fazer esse link entre teoria e realidade com desenvoltura requer domínio em muitas literaturas (teoria, métodos e empirical body of evidence). Os programas de doutoramento são organizados de forma a produzir especialistas. É verdade que os trabalhos mais recentes na profissão combinam tudo isso, mas isso em grande medida veio por conta da natureza cada mais cooperativa de autoria de trabalhos. Eu não quero com isso dizer que quem sabe uma coisa não sabe nada da outra (mesmo que não seja especialista, é preciso hoje dominar minimamente essas frentes todas), mas apenas que há mais de "arte" e engenhosidade pessoal na construção desses links do que quem organizou o curso de economia está disposto à admitir (taí o sucesso do livro do Levitt e similares para ilustrar meu ponto). E, se aceito esse ponto, reproduzir essas coisas em curso ainda que possível vai sempre ser limitado à um conjunto de aplicações.

      Terceiro porque (e isso está relacionado ao ponto 2 acima) a cruel verdade é que se espera que esse link seja feito pelo próprio aluno. É assim aliás que funciona em outras ciências: você dá as ferramentas e que as adquiriu fica livre para criar as aplicações que achar factíveis. Não fosse assim e houvesse um "cookbook" para toda aplicação de modelo que pudesse ser feita, viveríamos uma super onda de inovações (de materiais e teorias) à cada ano. E sabemos que as coisas infelizmente não funcionam assim.

      Conclusão: dá para melhorar os cursos? Dá. Dá para criar disciplinas que se dediquem exclusivamente a usar modelos canônicos de micro e macro para interpretar/analisar o que acontece no mundo? Dá. Mas isso (a) dificilmente vai prover esse "super óculos" que, para qualquer aluno que o vista, tudo analisa a partir dos modelos incompletos aos quais eles são apresentados na graduação e (mais importantemente) (b) vai exigir que certas disciplinas caiam fora do currículo -- e, nesse sentido, o curso vai ficar menos "eclético" e "plural" do que alguns parecem desejar.

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    3. Caro Sergio, acho que a frustração dos alunos (e dos professores) poderia ser minimizada simplesmente aumentando-se a carga de História Econômica dos cursos. Os alunos deveriam começar a ter contato com História Econômica Geral e do Brasil desde o primeiro semestre, nem que fosse dentro de Introdução à Economia. É a História, no sentido de se contar os fatos cuidadosamente sem muita teorização, que daria aos alunos a matéria prima à qual eles poderiam aplicar o instrumental aprendido em matemática, econometria e teoria econômica. Teorias e modelos sem fatos significa a nerdice pela nerdice e fica chato e frustante. Acho que isso deve ser feito sem se reduzir a carga horária de matemática, econometria e teoria econômica. Se alguma coisa tivesse que sair perdendo, seriam as matérias mais especializadas, que se transformariam em eletivas.

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    4. Belo comentário Bárbara, mesmo não sendo da FEA, compartilho muito do que você falou.

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    5. No meu 1o ano tive:

      Clássicos
      Introdução à Sociais
      Conjuntura Economica
      Introdução a Economia


      Calculo
      Contabilidade



      As 4 primeiras são muito mais "humanas", sem matemática, com história, do que instrumentais. Tem alguns modelinhos bobos, mas foca muito mais na intuição.

      Ai, ao longo do curso, tem HEG I e HEG II, Direito, FES I, FES II, Politica Comtemporanea, Brasileira (que acho que tem II), Monetária, Tecnologia e Desenvolvimento, HPE e mais uma porrada que não lembro e como optativa.

      E fora que tem o universo USP pra fazer matéria de fora...eu particulamente fiz 2 na FFLCH e uma no IEB.

      Quando os alunos da FEA reclamam do excesso de matemática no curso e a falta de humanidades, principalmente no 1o ano, me pergunto se fizemos a mesma faculdade. A própria FEA tem um pool bom de matérias e tem o resto da USP também. Só procurar, poxa...

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    6. O terceiro ponto do Sergio é matador: o aluno deve fazer a ponte. Esperar receber mastigadinho tudo na classe é passar atestado de desinteresse. Tem biblioteca, internet, cursos online...

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  5. Sério que vcs levam um Safatle a sério? E querem ser levados a sério com isso? Um militante rastaquera sedizente filódofo? Sério?

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    1. Estou contigo. Saftale há muito, quiçá nunca, não vale menção ou análise ponderada. O fato de ter visibilidade não justifica a perda de tempo.

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    2. Os argumentos de Saftale se enquadra dentro do campo da desonestidade intelectual. O fato de não entender as formalização e o rigor dos textos com forte carga quantitativa os tornam inválidos. Não se perde uma linha expondo argumentos objetivos.

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  6. ^ Acho que vc está superestimando os alunos da economia e... Sinceramente? De onde vc tirou que para entender modelo matemático tem que entender política? E que eu não gosto dos modelos? Escolhi fazer FEA e adoro matemática.

    E lembrando que o exemplo de política foi um... exemplo.

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    1. Poderia explicar, do alto da sua sabedoria de bixete, qual o problema com o Mankiw?

      Fiquei realmente curioso.

      Também poderia explicar por que você se considera uma Revolucionária?

      Lendo o que você falou no blog e olhando seu comportamento no facebook, me parece que você está completamente avoada da real discussão e simplesmente ainda não entendeu nada de economia.

      Tem certeza que é boa aluna? Parece apenas mais um estudante desinformado que se opõe à "Economia Burguesa-Neoclássica"

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    2. Quem é você? Fuçando meu Facebook, uau. Levou a discussão para um nível altíssimo e pouco personalista, parabéns.

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    3. Sou outor anonimo
      http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1097

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    4. Poderia explicar do alto de sua sabedoria quais os problemas com o Mankiw?

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    5. http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Os-estudantes-de-economia-de-Harvard-tem-motivo-para-uma-nova-revolta/7/28381

      Nível da discussão going down the hill.

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    6. Mas esse artigo já foi comentado no blog, é uma mistura de imaturidade e incompreensão.

      Você compartilhar disso e ainda não ter reprovado nem uma matéria, caso não tenha, mostra apenas que a FEA tem muito a aprender com FGV-RJ e PUC-RJ na questão da capacidade dos alunos em aprender economia.

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    7. E a discussão se encerra nisso? Outra matéria, pronto, morreu?
      Nível da discussão going down the hill (2).

      O Sérgio já respondeu, para mim já chegou. E para de gastar tempo para fuçar o Facebook alheio.

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    8. Safatle, Carta Maior...tá ruço o negócio...(no caso seria melhor russo, ou melhor ainda, soviético)

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  7. Na boa, o curso de economia é uma piada.. Ninguem tem noção nenhuma do que ta aprendendo, isso acaba por legitimar os heterodoxos que ficam iludindo criancinhas e ideologizando a porra toda.. Só não é pior que os cursos de humanas. Mas não vejo muito futuro no curso.. acho que o curso de economia tem que ser separado em estatística aplicada e o resto que se exploda

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  8. Só li choradeira por parte do Safatle sobre usarem matemática(que ele não entende) pra analisar questões sociais/econômicas. Pode continuar chorando que não adianta, métodos quantitativos vieram pra ficar(e não, eu não tenho nada muito relevante pra dizer sobre o Celso Furtado ou a formação de economistas, but then again, nem o Safatle tinha).

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  9. Sabe qual é o problema do pessoal da "nova geração"? Eles não sabem aceitar críticas. Quando alguém critica, é pq é um imbecil que não sabe matemática. Vcs têm ideia de quão ridículo vcs soam pra todo mundo com meio neurônio?

    Não falta formação matemática, ou de história, nos cursos (em especial phds) de economia. Falta um pouquinho de senso crítico das pessoas.

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  10. É engraçado (para não dizer outra coisa) ver as pessoas comentando, sobre quase qualquer curso (engenharia, economia, direito, you name it) que "é uma piada". Bom, são uma piada mesmo, mas uma discussão séria envolveria muitos outros fatores que extrapolam o caso de cada curso específo. Só como exemplo, uma piada é o camarada entrar com 17 anos na faculdade e a sociedade esperar dele maturidade para estudar seriamente alguns assuntos. Pq será que nessa idade o americano está fazendo o college, mais interessado nas festas do que
    em estudar, e só vai fazer a graduação de fato lá pelos 20 /21? Aí a gente vê comentários como o da moça acima, dizendo que aprende a matemática do modelo mas não para que serve. Ora, não sabe pq não quer - não há nenhum bom livro didático de modelos de macro e micro que não explique pq os modelos são usados. E, por fim, Safatle...ah sim, um dos intelectuais esquerdistas brasileiros que acham que pq estudaram Marx e os Frankfurtianos são capazes de emitir opinião sobre qualquer assunto e, pq não, ser candidato a alguma coisa.

    César

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  11. Exigir que um curso de graduação forme grandes pensadores é descabido na minha opinião.

    Quanto ao curso de economia na FEA, acho que a base matemática que os alunos recebem devia ser bem mais forte do que é hoje, basicamente tem os cursos de Cálculo e Estatística na versão light do IME, isso prejudica depois micro e econometria.
    E acho também que aluno adora reclamar, mas não faz nada pra mudar, individualmente, a situação.
    Se você acha que não consegue entender jornal com o curso atual, parece-me bemais viavél que você corra atrás e estude pra entender do que achar que o curso vai mudar enquanto você tiver na graduação.

    Além disso, quando uma parcela do departamento de economia começou a pegar um pouco mais pesado em termos de dificuldade, obrigando a negada a sentar na cadeira, principalmente em microeconomia, os alunos já trataram de mandar abaixo assinado pra coordenação pra reclamar desse "abuso", então aí fica complicado.

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  12. Esperando os comentários do Economista X sobre tal polêmica.

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  13. Na linha desse post: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/151427/Unicamp-reage-%C3%A0-declara%C3%A7%C3%A3o-de-guru-de-Marina.htm

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  14. A discussão nos comentários reflete ainda mais o debate do post. E o pior, é que fica evidenciado que o estabelecimento de alguma corrente, depende da crítica direta dirigida a outra, e não pela sua capacidade de trazer algum conhecimento sobre os fenômenos econômicos primeiramente. Logo, o que se discute nesta cisão que temos dentro da Economia, é justamente a própria validade científica de uma linha ou outra (nas generalizações entre ortodoxia e heterodoxia) e não a importância delas para o estudo da realidade objetiva. Ainda parece que estamos no debate positivista de ciência, de que só pode haver uma única, e no caso da economia está cada vez mais comprovado que não! O próprio Lionel Robbins, que elaborou a definição da economia como ciência da "alocação dos recursos escassos para muitos fins", defendeu antes de falecer que sua definição não isola a Economia da política, sendo esta última tão importante quanto a "ciência pura" que ele procurou definir. Neste sentido, ambas as linhas são importantes. Denegrir uma ou outra, torna-se um exercício contínuo de posicionamento ideológico quanto ao sistema capitalista, o qual geralmente se soluciona com a destruição da visão oposta. E assim se permanece...é um "fetiche" da ciência, de que ser único é sempre bom.

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  15. Olha, se você não consegue aplicar os modelos que você vê nos manuais a problemas concretos, ou você não está estudando o suficiente ou você tem problemas em pensar casos concretos com o auxílio de modelos, ou seja, o curso não é pra você. O resto, em minha humilde opinião, é uma agenda política de gente que gostaria que a profissão referendasse as opiniões da esquerda sobre temas econômicos.

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  16. O curioso é que eu fui assistir a aula inaugural do Safale quando ele entrou na filosofia da USP(acho que isso foi em 2002 ou 2003), apesar de eu já ter me formado lá na época...Na ocasião, eu não tinha gostado de como ele instrumentalizava Freud...Depois disso, só me encontrei com ele por acaso comprando ambos uma luminária na rua Consolação :) Mas quanto a esse artigo, eu achei bom...Eu não sei, perguntem a ele se quiserem: vsafatle@yahoo.com , mas eu acho que Safatle não parece se referir no artigo senão aos "economistas de plantão", ou seja, não era pra ser uma critica geral aos economistas nem aos universitários, senão ao modelo restrito de pensamento econômico reinante. Ele não está falando de mim e de você, sequer dos universitários "que não atingiram os quase quarenta anos de vida" ou o nível de formação universalista que a "universidade" perdeu e jamais recuperará nem exatamente ao nosso tempo imagético e imediatista que impede a realização de auto-aprendizado e do autodidatismo após os anos de formação universitária. A critica de Safatle, por mais que atinja quem não devia, faz sentido como uma forma de resguardar a maior amplitude da ciência econômica, às vezes, restrita ao mundo do negócio pelo negócio ou só às ciências aplicadas ou só ao financismo. Claro que ter tudo isso como foco do programa universitário corrobora, em tese, para que os alunos se insiram melhor no mercado, formando-se bons trabalhadores. Mas a divisa seria esta: "A universidade já se estabeleceu finalmente como um curso técnico?" Acho que é essa pergunta que se pode fazer ao artigo. Mas, afinal é realmente compreensível que não seja capaz de existir hoje um Celso Furtado? Tudo bem que ele ganhava em libras quando escreveu o "Formação Econômica", assumindo a cátedra de professor visitante em Cambridge. Assim mesmo, eu concordo com a colega que diz ser risível "formar mais Celsos Furtados na forma literal", justo, porque estes Celsos estariam hoje passando fome e sem conseguir publicar. A propósito, se o problema não está mais no modo amplo ou restrito de como pensar a ciência econômica ou quaisquer ciências, e sim em como estudar economia, matemática, física para trabalhar na bolsa de valores, então, a crítica do Safatle continua a fazer algum sentido...um sentido "risível", concordo, mas ainda assim um sentido.

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