Na última semana, The Economist trouxe uma reportagem especial sobre o Brasil. Entre os temas está o elevado custo de vida no país (veja matéria aqui).
Minha impressão é que o fenômeno é recente, e pode estar ligado à subida nos preços das commodities. O clássico efeito Balassa-Samuelson ajuda a entender isso.
A ideia do Balassa-Samuelson é a seguinte: há dois setores -- tradeable e non-tradeable. O primeiro tem seu preço determinado pelo mercado externo. Já no setor nontradeable, custos de transporte são elevados (caso típico de serviços), prevenindo arbitragem internacional. Isso faz com que, nesse setor, o preço seja determinado pela interação de oferta e demanda domésticas.
Se o preço internacional do tradeable sobe (como nas commodities brasileiras), esse setor terá incentivos a se expandir, pressionando a demanda por insumos escassos (como trabalho e terra). Isso eleva a remuneração desses insumos e, portanto, os custos no setor nontradeable, que são repassados para o preço final. Como parte substancial da cesta de consumo é composta por bens nontradeable, o custo de vida acaba subindo.