segunda-feira, 2 de junho de 2014

A economia das figurinhas - parte 2

Há algumas semanas escrevi um post sobre o assunto. Entre outras coisas, discuti meio por cima como o tamanho do mercado (isto é, número de pessoas trocando figurinhas) afeta a chance de completar o álbum, e a demanda por figurinhas. Recentemente, The Economist publicou um artigo muito legal sobre o tema, que me motivou a elaborar um pouco mais sobre os efeitos do grau de integração do mercado nesse caso.

Considere o caso extremo em que o mercado é completamente segmentado, sendo que cada pessoa precisa encontrar todas as figurinhas comprando pacotes. De acordo com a revista, em um álbum de 640 figurinhas, é necessário comprar 899 pacotes em média (ou seja, 4495 figurinhas, dado que cada pacote contém 5). Isso se a distribuição de figurinhas for completamente aleatória (como afirma a Panini, editora do álbum).

Um mercado maior, logicamente, reduz a necessidade de comprar tantos pacotes, uma vez que colecionadores podem trocar repetidas. E isso pode atrair mais pessoas para esse mercado, dado que completar o álbum se torna cada vez mais fácil. Ou seja, tem um componente de retornos crescentes aqui. E que pode ser incrementado por avanços tecnológicos (como internet e redes sociais), os quais permitem que indivíduos se comuniquem com mais facilidade.

Talvez por conta desse componente de retornos crescentes é que não observemos uma infinidade de álbuns de figurinhas por aí (é preciso ter escala mínima nesse mercado). De qualquer forma, estamos falando da Copa do Mundo, ou seja, escala não parece ser um problema. 

Mas o que aconteceria no outro extremo, em que o mercado é completamente integrado e conta com um conjunto muito grande de colecionadores? Suponha ainda que haja um aplicativo que funcione como "clearing house", em que as pessoas somente informam quais figurinhas faltam e quais são repetidas. O aplicativo faz o resto, recolhendo as repetidas de todo mundo e redistribuindo entre aqueles que precisam delas.

Nessa situação limite, cada pessoa precisa comprar exatamente 640 figurinhas. Envia suas repetidas para a "clearing house" e recebe as que não possui (provavelmente paga o custo de transporte e de manutenção da "clearing house"). Completa-se o álbum rapidamente e sem muito esforço.

Todavia, isso equivale basicamente a comprar o álbum pronto, o que tira toda a graça de colecionar. Aposto que, se fosse tão fácil, muita gente deixaria de colecionar figurinhas, saindo assim do mercado. Em outras palavras, um mercado plenamente integrado não pode ser um equilíbrio nesse caso.

Ou seja, há provavelmente um grau de integração de equilíbrio nesse mercado, que não é igual a infinito.

6 comentários:

  1. Mauro, esse mercado totalmente integrado com uma clearing é o equivalente ao álbum virtual. Que não tem graça nenhuma. Da uma olhada depois. Abraço

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    1. Verdade. Tinha pensado na mesma coisa, Nobile.

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  2. Dado que quem poderia operar uma 'clearing' seriam adultos e quem, na maioria, coleciona figurinha são crianças e adolescentes, é provável que nunca se chegue a essa situação extrema. E ainda que a tecnologia esteja ao alcance dos mais novos, a 'liquidação' da transação vai depender dos adultos responsáveis, o que sempre será uma barreira.

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  3. Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

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  4. Mas você errou em relação ao produto comprado. O produto não é a figurinha. O produto é o trabalho que se tem em completar o álbum, é a diversão de ter que correr atrás do que está faltando. Então a análise da segunda parte faz tanto sentido quanto comprar um lego já montado :-)

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    1. Acho que eu disse exatamente a mesma coisa no post (penúltimo parágrafo):

      Todavia, isso equivale basicamente a comprar o álbum pronto, o que tira toda a graça de colecionar. Aposto que, se fosse tão fácil, muita gente deixaria de colecionar figurinhas, saindo assim do mercado. Em outras palavras, um mercado plenamente integrado não pode ser um equilíbrio nesse caso.

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