Como eu não disse, a minuta da ata do FOMC sugere que
tapering está próximo.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Os custos da destruição de credibilidade
Contração fiscal tem um custo keynesiano, de demanda agregada. Impacta o PIB, por esse canal, de modo adverso. Mas, quando crível, ou seja, quando sinaliza maior sustentabilidade e, portanto, juro real futuro menor, risco menor e taxação esperada menor, ela pode ajudar o PIB. São os benefícios dinâmicos da coisa.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Fed's deflation
You may
have thought, but were too embarrassed to articulate, that there is also a question
of competence here. Let me help you: There is a robust and significant
correlation between height and IQ.
Dewey vs Truman: maior viés de seleção da história
As pesquisas de opinião, antes das eleições de 1948, davam vitória certa, e por uma boa margem, ao republicano.
Abriram-se as urnas. Contaram-se os votos.
Truman sai vencedor !
O erro: as pesquisas foram feitas por ligações telefônicas. Quem tinha telefone em 1948? Os mais abastados, claro. E mais abastados correlacionava muito com ser republicano (low taxes!). Nessa amostra, claro, o Dewey era o preferido. Mas a amostra obviamente não era representativa.
domingo, 17 de novembro de 2013
Consumidores furiosos
Desastres naturais (como terremotos e tsunamis) geram crises de abastecimento por dois motivos: (i) os canais de distribuição ficam comprometidos, e (ii) as pessoas correm às lojas para comprar quantidades grandes de diversos itens, com o objetivo de acumular estoques.
Nessas situações, os preços deveriam disparar. Mas o recente artigo de Alberto Cavallo, Eduardo Cavallo e Roberto Rigobon mostra um quadro diferente, ao analisar dados de preços em grandes supermercados nos meses que sucederam aos terremotos do Chile (2010) e Japão (2011). De fato houve queda na disponibilidade de diversos produtos, porém os preços permaneceram surpreendentemente estáveis.
Uma possível interpretação é que o eventual aumento de preços geraria um custo reputacional para o vendedor. Em particular, consumidores poderiam entender que o lojista está se aproveitando de uma situação de dificuldade para elevar seus lucros. O risco de perder fregueses e prejudicar a imagem da empresa poderia explicar porque produtores não ajustam seus preços, mesmo em face a choques substanciais.
Além disso, nessas condições extremas, governos frequentemente intervêm para coibir aumentos "abusivos" (isso ocorreu durante a última semana nas Filipinas). Na ameaça de punição governamental, vendedores evitariam elevar seus preços. Note que, nesse caso, o governo pode muito bem estar reagindo ao sentimento dos consumidores de que aumentos seriam injustos, ao implementar políticas de combate a reajustes.
Entretanto, toda essa aversão a aumentos pode ser em vão, dado que não há garantia de que os consumidores deixarão de pagar preços mais elevados. Como, aos preços vigentes, a demanda é maior que a oferta, alguns indivíduos podem explorar oportunidades de arbitragem, comprando itens nas lojas e supermercados para vender no mercado negro. Isso geraria escassez no mercado oficial, forçando consumidores a pagar ágio se quiserem adquirir o bem.
Note que os custos de mudar preços para esse pessoal do mercado negro são bem menores do que para vendedores "oficiais". Primeiro, eles não ligam muito para reputação, pois em geral estão se aproveitando de uma situação temporária para lucrar. Além disso, é muito mais difícil para o governo identificar e punir tais indivíduos.
Essa situação é análoga à de finais de campeonatos de futebol, em que a demanda por ingressos aumenta consideravelmente. Ao manter os preços baixos, o clube não desagrada seus torcedores, mas acaba tornando lucrativa a ação de cambistas. Esses indivíduos vendem ao preço que iguala oferta e demanda, e embolsam um excedente que deveria ir para o clube. Volto a esse ponto no futuro.
PS: Os dados da pesquisa aqui citada são resultado do Billion Prices Project, tocado por Roberto Rigobon e Alberto Cavallo, do MIT. Trata-se de um esforço para coletar informações desagregadas de preços em vários países do mundo, por meio de buscas nos websites de grandes empresas varejistas. Mais detalhes aqui.
Além disso, nessas condições extremas, governos frequentemente intervêm para coibir aumentos "abusivos" (isso ocorreu durante a última semana nas Filipinas). Na ameaça de punição governamental, vendedores evitariam elevar seus preços. Note que, nesse caso, o governo pode muito bem estar reagindo ao sentimento dos consumidores de que aumentos seriam injustos, ao implementar políticas de combate a reajustes.
Entretanto, toda essa aversão a aumentos pode ser em vão, dado que não há garantia de que os consumidores deixarão de pagar preços mais elevados. Como, aos preços vigentes, a demanda é maior que a oferta, alguns indivíduos podem explorar oportunidades de arbitragem, comprando itens nas lojas e supermercados para vender no mercado negro. Isso geraria escassez no mercado oficial, forçando consumidores a pagar ágio se quiserem adquirir o bem.
Note que os custos de mudar preços para esse pessoal do mercado negro são bem menores do que para vendedores "oficiais". Primeiro, eles não ligam muito para reputação, pois em geral estão se aproveitando de uma situação temporária para lucrar. Além disso, é muito mais difícil para o governo identificar e punir tais indivíduos.
Essa situação é análoga à de finais de campeonatos de futebol, em que a demanda por ingressos aumenta consideravelmente. Ao manter os preços baixos, o clube não desagrada seus torcedores, mas acaba tornando lucrativa a ação de cambistas. Esses indivíduos vendem ao preço que iguala oferta e demanda, e embolsam um excedente que deveria ir para o clube. Volto a esse ponto no futuro.
PS: Os dados da pesquisa aqui citada são resultado do Billion Prices Project, tocado por Roberto Rigobon e Alberto Cavallo, do MIT. Trata-se de um esforço para coletar informações desagregadas de preços em vários países do mundo, por meio de buscas nos websites de grandes empresas varejistas. Mais detalhes aqui.
sábado, 16 de novembro de 2013
Cesg vs. Paul Krugman
O Paul tem escrito consistentemente sobre Europa.
O argumento dele é assim: até 2007, a inflação na Europa ex-GER era bem mais alta do que a inflação na GER. Isso conferiu grandes vantagens comparativas à GER, pois o cambio real depreciado tornou o bem alemão mais barato. E aí o Paul reclama que agora a GER não quer o papel oposto, não quer aceitar inflação doméstica mais alta pra ajudar, via apreciação do seu câmbio real, os outros países, como a Espanha.
O Paul está certo, como sempre. Mas acho que ele está omitindo parte importante da história, a parte que diz que ganho de câmbio real efetivo tbm decorre de diferenciais de produtividade. A Alemanha modernizou seu mercado de trabalho na virada do século, Paul; os outros países não. Você deveria citar isso também, Paul, junto com a tese keynesiana.
Veja, Paul, acho que você está certo de enfrentar os neobobos bitolados, mas cuidado pra não terminar como um bobokeynesiano você mesmo.
Abraços pra vc, Paul
agora que dei conta que deveria ter escrito em inglês, para o Paul ler...
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Tapering só no fim de 2014
1) QE (asset purchase) é irrelevante por si próprio
(aquela história de imperfect substitutes está furada para treasuries, ainda
que funcione para MBS);
2) QE tampouco tem custos palpáveis, tanto faz um
bi a mais ou a menos no balanço, (pelo menos ninguém conseguiu mostrar que faz
diferença, incluindo o Jeremy Stein);
3) Tapering implicaria em sinal de que a subida de
juros está próxima, o que leva a aumento de juros, o qual é indesejável (FOMC
de setembro relevou isso);
4) Antoninho é um babaca;
5) O ideal seria separar tapering de forward
guidance, através da redução do threshold de desemprego;
6) Mudança desse threshold de 6.5% para 6% empurraria
a ocorrência do hiking em uns onze meses (algumas hipóteses de participation
rate, payroll, etc). Com isso, a subida de juros só poderia ocorrer em meados
de 2016;
7) Mas se a economia começar a crescer 3.5% no fim ano
que vem, quando o drag fiscal parar de atrapalhar, vai ser horrível estar
comprometido a não subir os juros por dois anos. O Fed pode sempre descumprir o
que prometeu, mas sempre é constrangedor;
8) Incluir esse constrangimento no cenário básico
não faz sentido, e nem é crível, o que contraria a própria lógica do forward
guidance;
9) Sendo assim, juntando todos os pontos
anteriores, e lembrando que o Antoninho é um babaca, faz mais sentido não fazer
tapering nenhum. Deixa os juros baixos estimularem a economia, continua
aumentando o tamanho do balanço, e só faz tapering quando a economia estiver
crescendo bastante e de forma sustentável (fim de 2014).
Eleição direta e democracia
O deputado estadual Rui Falcão foi reeleito presidente do PT nesta semana. Falcão conseguiu cerca de 70% dos votos de filiados petistas aptos a votar no que o PT chama de PED (Processo de Eleições Direta). O PED foi adotado em 2001. Antes disso, o presidente do PT era escolhido indiretamente por delegados eleitos nos diretórios municipais e estaduais do partido, método menos democrático do que o atual, certo? Errado.
Segundo Pedro Floriano Ribeiro, cientista político e professor da Federal de São Carlos, autor de excelente livro sobre o PT (Dos Sindicatos ao governo. A Organização Nacional do PT de 1980 a 2005), o PED reduziu drasticamente a capacidade da militância petista de interferir no comando do partido e esvaziou uma instância de discussão e deliberação até então muito importante para a legenda, os chamados Encontros.
Diz Pedro Floriano: "O PED representou a consolidação da estratégia de esvaziamento dos Encontros, levada a cabo já nos anos 1990. Potencializar a ascendência dos líderes mais populares sobre a massa de filiados era um dos objetivos embutidos por trás do PED. Tratava-se de, definitivamente, isolar a esquerda e consolidar a hegemonia interna. Outro objetivo, mais importante, era conceder maior autonomia à direção, extinguindo os principais contrapesos internos ao poder dos líderes. Destituídos das atribuições eleitorais, de efetividade na construção de resoluções e diretrizes, e de poder real numa estrutura dominada pelas Executivas, os Encontros se tornaram figuras decorativas no PT. Sem eles, os dirigentes ganharam em liberdade de ação, enquanto a base perdeu seus principais canais de pressão e accountability interno. Com o PED, o arcabouço institucional petista se tornou plebiscitário e pouco representativo, ou seja: menos democrático." (Ribeiro: 281)
Não foi mero acaso o PED ter sido sido adotado em 2001, um ano antes da eleição de Lula para a Presidência da República. Uma das qualidades do livro de Pedro Floriano é mostrar como a organização interna petista foi se alterando à medida em que o partido se acercou ao poder e sempre no sentido de reforçar a centralização, minar a força dos grupos mais à esquerda e fortalecer a hegemonia da facção dominante: a antiga Articulação e a atual Construindo um Novo Brasil. A tendência reúne os principais caciques petistas, Lula, José Dirceu, Palocci etc. Neste ano, a Construindo obteve seu melhor resultado no PED. Sinal de que a tendência à crescente oligarquização do partido continua vigente.
Pois é, nem sempre eleição direta é a melhor maneira de garantir à base efetiva capacidade de influenciar as instâncias decisórias. Vale para o PT e vale para USP, onde está quente o debate a respeito da eleição direta de seu reitor.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
A massa, excluindo o Antoninho, é sábia
Havia no gráfico 2.743 pontos.
A distribuição das respostas foi:
A média dessa distribuição é 9.477, muito longe do valor correto. A princípio, então, seríamos levados a concluir que a massa (pelo menos deste blog) não é sabia.
No entanto, a figura acima mostra que teve gente que passou muito longe. O pior de todos foi o Antoninho, que viu 100 mil pontinhos. O Antoninho deve ter olho de mosquito (veja aqui).
Para excluir o efeito do Mosquito de Botucatu decidi calcular a mediana. Quanto deu? 2.500.
Não tão perto quanto o cara do vídeo, mas fiquei satisfeito.
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