segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

salário que apenas sobe (dificil)

faz algum sentido?

bom, experiência tem relação com produtividade, então aparentemente sim.

mas mesmo quando é patente que o trabalhador mais experiente não vai ficando mais produtivo, faz algum sentido?

sim. pense num modelo com assimetria de informação. o empregador não sabe bem se o recém-contratado é um picareta ou não. um oportunista ou não. com o passar dos anos, isso torna-se claro: um picareta acaba sendo pego com o tempo. nesse caso, faz sentido um contrato que o salario sobe com o tempo: nos primeiros anos o trabalhador ganha menos que sua produtividade; mas no longo prazo ele ganha mais. em média, salario = produtividade. esse contrato gera um "separating equilibrium": os picaretas optam por ficar de fora, pois o ganho inicial (antes do cara ser pego) é baixo; e os caras que se sabem não-picaretas, optam por ficar, pois entendem que vão colher os frutos lá na frente. se você adiciona ao modelo alguma inconsistência temporal do trabalhador, do tipo o cara tem dificuldade para poupar, aumenta até mesmo o bem-estar dele esse contrato aí.

14 comentários:

  1. Nice!

    Mas como a firma pode se comprometer em não mandar o cara embora, quando ele se torna menos produtivo?

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    1. reputation: a firma eh um long-term player, se ela fizer isso, ela se fode depois

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  2. Faz mais sentido um fixo baixo com um variável ocupando maior parte na renda.

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    1. isso não faz o mesmo screening que o contrato faz, apesar de afetar incentivos

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    2. Mas e se o variável for uma média móvel de 3 anos, por exemplo?

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  3. Boyan tem um paper (acho que QJE) no qual explica isso com incerteza dos dois lados. Nao é bem screening, mas mais um compatibility check.

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  4. Conhecem algum livro pra graduação que ensine a analisar pensando em informação assimétrica, custos de transação e comportamento estratégico ?

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    1. well, not really. but Campbell´s "Incentives" comes close

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  5. Interessante Dudu.

    Este tipo de contrato cria um custo para o empregado mudar de emprego, a menos que este tivesse uma "portabilidade" da reputação adquirida.

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    1. estava pensando nisso, celoto. esse modelo não explica muito bem job turnover. parece fazer sentido para situações em que o cara passa a vida na empresa.

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    2. Realmente o modelo não funciona neste caso, que é a tendência das últimas décadas, onde as pessoas ficam menos tempo nas empresas.

      Se estas pessoas pudessem adquirir uma "certificação" externa para corroboração da sua reputação, este contrato não seria necessário porque o problema de assimetria de informação seria eliminado.

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    3. a "certificação" pode ser:
      1) o tempo de carreira,
      2) salario no emprego anterior,
      3) se saiu, quer sair ou foi saido do emprego anterior.

      Enfim, o modelo vale para o inicio de carreira, não necessariamente para o inicio de trabalho em todo novo empregador.

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  6. Acho que referência de chefe anterior funciona um pouco como isso não? Provavelmente é uma sinalização imperfeita, mas tá lá.

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