sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O Banco Central Independente vai puxar seu pé à noite!


Todo mundo já deve ter visto ou lido sobre a peça publicitária da campanha de Dilma que afirma que dar independência ao Banco Central significa colocar decisões de preços, salários, câmbio e mais um monte de coisa na mão de banqueiros e seus técnicos -- no rádio eu ouvi uma versão que fala até que a independência do BC afetaria "até o valor da prestações que você paga".   

Rogério Weneck (professor da PUC-Rio) escreveu artigo hoje no Estadão sobre o assunto. Em um trecho, diz ele:
É inacreditável que, numa discussão tão importante como a que envolve o grau de autonomia que deve ser atribuído ao Banco Central, a presidente Dilma se tenha permitido subscrever argumento de tão baixo nível. Brandindo essa empulhação eleitoreira na televisão, a candidata pode até soar convincente entre eleitores menos informados, mas queima de vez qualquer possibilidade de ser levada a sério em questões relacionadas à condução da política econômica.
Se quisesse, Dilma poderia recorrer a argumentos perfeitamente razoáveis contra a independência formal do Banco Central e a favor de uma independência de facto, tácita, como a que foi concedida à instituição nos governos de seus dois predecessores. Mas tudo indica que a presidente já não tem qualquer preocupação com sequer manter as aparências na discussão dos rumos da política econômica. Em desesperada tentativa de se reeleger, rasgou completamente a fantasia. Já não vê qualquer problema em recorrer a uma argumentação tão despropositada, primitiva e populista como essa no horário nobre da propaganda eleitoral.
O texto completo pode ser lido aqui.

PS: O gráfico abaixo é food for thought...

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-e-o-banco-central-imp-,1558886
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9 comentários:

  1. melhor ainda se colocar o que aconreceu com NZ (no grafico) depois que o BC se tornou mais independente

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  2. Sergio,

    Nao há duvidas que um BC independente é capaz de entregar uma inflacao menor. O grafico apenas fala o obvio.

    A questao é o preço que se paga para obter aquela inflacao mais reduzida? Coincidencia ou nao, nenhum paper da literatura sobre o tema mostram esse tipo de relaçao... Aceitam a hipotese de que no longo prazo a Philips é vertical e ponto final...

    Há sim espaço para o debate...

    Abs

    Julio

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    1. Sempre tem a turminha do "um pouquinho de inflação é bom para a economia" né...

      Já pensou comprarmos notebooks padrão hoje por R$10.000,00? Que beleza né?

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    2. Por que, o ideal é inflação zero?

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  3. Por favor, economistas X (serve qualquer um de vocês), seria verdadeira esta afirmação destes dois doutores em Economia, um deles diretor do BNDES:

    "as evidências revelam: os países que não têm meta de inflação ou banco central independente se saíram tão bem ou foram melhores que aqueles adeptos desse arcabouço na condução da política econômica."

    Para maior detalhes:

    http://brasildebate.com.br/por-um-banco-central-republicano/

    Att,

    Mario

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    1. Queria ver estas evidências…

      O curioso é que uma das poucas evidências sérias que conheço mostra precisamente o contrario. Segue uma delas:

      https://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2009/wp09236.pdf

      Abraço
      Rafael

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    2. Se você estiver interessado em aprender, pode começar pelo meu artigo mesmo: http://ideas.repec.org/a/bpj/bejmac/v11y2011i1n22.html

      Em resumo, países com metas de inflação se deram melhor que seus pares depois da crise financeira global de 2008.

      Vide o resumo aqui:

      Twenty-eight months after the onset of the global financial crisis of August 2008, the evidence on post-crisis GDP growth emerging from a sample of 51 advanced and emerging countries is flattering for inflation targeting countries relative to their peers. The positive effect of IT is not explained away by plausible pre-crisis determinants of post-crisis performance, such as growth in private credit, ratios of short-term debt to GDP, reserves to short-term debt and reserves to GDP, capital account restrictions, total capital inflows, trade openness, current account balance and exchange rate flexibility, or post-crisis drivers such as the growth performance of trading partners and changes in terms of trade. We find that inflation targeting countries lowered nominal and real interest rates more sharply than other countries; were less likely to face deflation scares; and had sharp real depreciations without a relative deterioration in their risk assessment by markets. While the task of establishing causal relationships from cross-sectional macroeconomics series is daunting, our reading of this evidence is consistent with the resilience of IT countries being related to their ability to loosen their monetary policy when most needed, thereby avoiding deflation scares and the zero lower bound on interest rates.

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  4. Como explicar, entao, a afirmaçao dos dois doutores em Economia.

    Concordo com voce, Irineu.

    Abs
    Joao

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  5. "Como explicar, entao, a afirmaçao dos dois doutores em Economia."

    Eu nao sabia que havia doutorado em economia na Unicamp ou na UFRJ.

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