quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O que X e Paul Krugman têm em comum

Além de serem grandes economistas, usam uma tática comum em sua interação com peers: bullying.

Niall Ferguson, de Harvard, comprou briga com PK. Recentemente escreveu uma série de artigos no Huffington Post detalhando a estratégia do Krugman. Em linhas gerais, a tática envolve:

1. Fazer previsões sobre determinado issue (crise nos Estados Unidos, fim do Euro, etc)

2. Se a previsão estiver certa, comemorar a vitória. Dizer ainda que sempre acerta (e que os adversários sempre erram).

3. Se a previsão estiver errada, fingir que não fez. E ajustar o discurso, como se nada estivesse acontecido.

4. Se alguém discordar, xingar o cara de imbecil repetidamente. Dizer que o indivíduo não sabe nada de Economia; que o assunto é coisa de cursos introdutórios (no caso do X, a baixaria é maior; chega o usar o termo "fag"). Afinal, quem teria estatura intelectual para discutir com um prêmio Nobel?

Os artigos do Niall Ferguson estão aqui, aqui e aqui. Tem algumas idiossincrasias de historiador e um pouco de auto-promoção, mas vale a pena dar uma olhada. Em linhas gerais, concordo. Esse estilo agressivo, apesar de às vezes divertido, pouco contribui para o debate. 

A estratégia do Krugman é certamente reflexo do momento político dos Estados Unidos. A polarização entre democratas e republicanos é evidente, e boa parte do debate político envolve ataques pessoais, com pouco espaço para os issues relevantes. E o PK está no meio desse furacão, pois claramente tomou um lado no debate. 

Nessa linha, recomendo também um artigo do Rajan no Project Syndicate (veja aqui). Abaixo um trecho que resume a ideia:

"(...) commonsense policy solutions all too often have unintended consequences, because a policy’s targets are not passive objects, as in physics, but active agents who react in unpredictable ways. (...) 
All of this implies that economic policymakers require an enormous dose of humility, openness to various alternatives (including the possibility that they might be wrong), and a willingness to experiment. This does not mean that our economic knowledge cannot guide us, only that what works in theory – or worked in the past or elsewhere – should be prescribed with an appropriate degree of self-doubt. 
But, for economists who actively engage the public, it is hard to influence hearts and minds by qualifying one’s analysis and hedging one’s prescriptions. Better to assert one’s knowledge unequivocally, especially if past academic honors certify one’s claims of expertise. This is not an entirely bad approach if it results in sharper public debate. 
The dark side of such certitude, however, is the way it influences how these economists engage contrary opinions. How do you convince your passionate followers if other, equally credentialed, economists take the opposite view? All too often, the path to easy influence is to impugn the other side’s motives and methods, rather than recognizing and challenging an opposing argument’s points. Instead of fostering public dialogue and educating the public, the public is often left in the dark. And it discourages younger, less credentialed economists from entering the public discourse."

12 comentários:

  1. Uma pena o que o Krugman se tornou

    ResponderExcluir
  2. Pior do que o Krugman é a sua (dele) claque - Yglesias, Delong e etc. -, não?

    ResponderExcluir
  3. Concordo.

    Ainda assim acho o blog bom. Apesar do viés político e da escrotidão não justificada com quem discorda dele.

    ResponderExcluir
  4. Isso, infelizmente, talento e competência não estão atrelados a caráter.

    Eu também gosto deste aqui, apesar da marra do X e do Antoninho.

    ResponderExcluir
  5. O Melhor do blog, o Antoninho, está desaparecido a semanas .....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. como ele pode ser o melhor entao?

      Excluir
  6. "He himself acknowledges having made only two mistakes"
    Isso me lembrou o Prof. Girafales.

    Mas então, acho que tem muito mais pela frente...esse final da série foi sensacional....
    Where I come from, however, we do not fear bullies. (...) I believe I have now made him what he richly deserves to be: a figure of fun, whose predictions (and proscriptions) no one should ever again take seriously.

    ResponderExcluir
  7. alem disso o Paulo Krugman quando nao tem o que falar mas mesmo assim quer bater em alguem traz a tona um assunto que nem esta em pauta e ninguem lembra mais somete para bater no individuo. Costuma fazer isso com frequencia. Por exemplo trazendo a tona fresh water x salt water.

    bom, o cara é um puta economista mas tem essa personalidade peculiar

    Economista X linha

    ResponderExcluir
  8. GO TO HELL, TRADE FAG!

    Krugman was my trade theory teacher. He is the best.

    Now, what he has been rightly advocating is that fiscal policy should be expansionay when the economy hits the zero bound. This is so obviously correct I have to agree only stupid people could disagree. Controlling for that, in other words, he is too polite w/ his opponents. And if u disagree with this, it is because you are as stupid as Niall.

    ResponderExcluir
  9. Batr no Niall era fair game tambem ja que ele proprio assumiu um lado do debate (e falou um monte de merda incorreta).
    Publicou um longo artigo que saiu na capa de uma grande revista americana invocando o povo a votar no Romney. E no artigo cometeu gafes calamitosas - que ele depois negou, negou, negou ate a morte que eram erros.
    Entre PK e NF nao da nem pra comecar a discutir qual dos dois e' pior de carater e de conhecimento.

    ResponderExcluir
  10. O que acho intrigante no X é que, desde o blog anterior ("Consciência ...), ele desanca todo mundo e o único que é sempre preservado de sua ira é o CESG. Por que será?

    ResponderExcluir
  11. Niall Ferguson, alem de entender patavinas de economia, eh constrangedoramente desinformado e tendencioso. Uma de suas gafes recentes foi afirmar que Keynes nao se importava com o future porque era homossexual, citando a famosa frase de que, "no longo prazo, estaremos todos mortos". O constrangedor eh que, devidamente contextualizada, a frase de Keynes eh um apelo a que economistas se empenhem em resolver problemas concretos, que afetem as pessoas no presente. Ficou claro que, Se Ferguson leu, nao entendeu. Benza deus, va ser ignorante e preconceituoso assim no raio que o parta!

    ResponderExcluir