domingo, 13 de abril de 2014

Pastore no Estadão, Domingo

Ele explica bem a dinâmica cambial recente: juro real elevado com baixo risco de depreciação devido às intervenções do governo tornam os títulos brasileiros apetitosos...

Depois ele vai falar da relação cambio--inflação. E comete um erro teórico assustador, que um bom aluno de introdução à economia não deveria fazer. Ele diz o seguinte: quando câmbio deprecia, sobem os custos dos insumos de produção importados e então os empresários repassam isso para os preços, em parte. Correto! Aí, quase tive uma síncope quando, no parágrafo seguinte, ele afirma -- criticando a estratégia do governo de controlar inflação via câmbio -- que, na direção contrária, isso não vale !! E pior de tudo é a explicação que ele dá: é porque quando caem os custos (depois da apreciação) a maneira de aumentar o lucro não é reduzir preços, e sim mantê-los fixos. Então, nessa direção o câmbio não ajuda, o efeito não vale. Dureza, Pastore...Quando custos caem, é ótimo -- no sentido de maximizar lucros -- reduzir preços. Justamente porque o ganho unitário aumenta no momento imediato que se segue à redução de custos é que preços mais baixos são a decisão ótima para a firma, dado que nesse cenário ela quer produzir e vender mais. Isso é micro muito básica mesmo, daí o meu espanto.

Depois ele cita uma evidência de impacto assimétrico do câmbio sobre a inflação, que eu acredito possa estar correta.  Segundas derivadas positivas da função custo marginal podem gerar essas assimetrias, mas isso não invalida o erro crasso de micro.

14 comentários:

  1. Dudu, mas será que ele não estava pensando num cenário mais realista e oligopolizado que temos aqui?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não vejo por que oligopólio teria algo a ver com isso.

      Excluir
    2. Oligopolio, monopolio, tem a ver com nivel do preco mais alto. Apenas isso. Nao com preco reagindo a choque de custo. E alem de tudo o Pastore fala que pra cima vale!

      Excluir
    3. Vocês não entenderam. Monopólio e oligopólio tem a ver com níveis de preço mais alto... que os custos! E não com aumento de preços per se. Se os custos baixam e o preço se mantém, não seria evidência de que o mercado é oligopolizado e a demanda pouco elástica? Como colocado pelo outro anônimo das 13h28 - [eu sou o anônimo original, das 10h17.

      Excluir
    4. Cesg, i liked this...you are growing tough, boy. I am proud!
      People should read Price Theory, from Milton, before calling themselves economists

      Excluir
    5. Price Theory do Friedman ainda é um livro relevante no mercado ?

      Excluir
    6. Engraçado que vocês professores feanos nos concedem diplomas de economistas sem que esse livro do Friedman seja base bibliográfica oficial ou indicado informalmente a qualquer aluno. Engraçado mesmo.

      Excluir
  2. Oligopólio em um ambiente no qual a sensibilidade da demanda a preço é pequena, ou seja elasticidade preço demanda próxima a 0, poderia validar o pensamento do professor Pastore, dado que a decisão para maximizar lucro seria manter os preços constantes.


    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Armaria nãããããmmmm!!!!

      Excluir
  3. Pastore e outros macro da antiga nao sabem microeconomia; é lamentável

    ResponderExcluir
  4. Esta não é uma questão empírica? Não é um problema de pegar os dados e medir?

    ResponderExcluir
  5. Não! A parte empírica é sobre a assimetria das elasticidades de repasse cambio inflação, isso sim. Mas não falar que quando cai custo o empresário tem incentivos a manter os preços estáveis. Isso está completamente errado.

    ResponderExcluir
  6. Na teoria ele está errado. Mas ele falou o que acontece na prática. Concordo com o primeiro anônimo.

    ResponderExcluir
  7. Para o Pastore estar correto na teoria, basta assumirmos um modelo com demanda quebrada no preço atual: a demanda e’ mais elastica para precos maiores que o atual e mais inelastica para precos menores que o atual. Assim, a curva de receita marginal e’ mais horizontal ‘a esquerda do preco atual e mais vertical a direita do preço atual. (A curva de custo marginal cruza a curva de receita marginal exatamente na quebra, afinal de contas a quebra e’ no preco atual).

    Quao real e’ uma curva de demanda quebrada no preco atual? Parece ser que ha bastante evidencia de que esse fenomeno ocorra (http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1688936). Inclusive ha diversas teorias para tentar explicar esse fenomeno (http://en.wikipedia.org/wiki/Kinked_demand_curve). A mais conhecida dessas teorias certamente e’ a teoria da curva de demanda quebrada de Sweezy (JPE, 1939).

    Segundo o estudo do Gazzano, citado pelo Pastore, parece ser que o fenomeno da curva de demanda quebrada ocorre na economia brasileira atualmente.

    ResponderExcluir